Quando a Rússia falava francês...
Desde a época de Catarina II, uma imperatriz que teve a fama de ser uma das mais inteligentes monarcas da Europa, o francês (língua de todos enciclopedistas e filósofos), era sem dúvida preferido na Rússia.
Exactamente durante o reinado desta Imperatriz, o conhecimento do francês era uma das condições da boa educação mundana, um indício das pessoas ligadas à classe dos nobres, e uma “chave” que abria as portas para o mundo da alta sociedade.
Como resultado, até ao fim do século XVIII, a alta sociedade de São Petersburgo dominava a língua de Diderot e Volter, dando menos importância ao russo.
Apesar de muitas proibições ligadas à repressão da França revolucionária, o próprio Imperador Paulo I, exprimia-se na sua maioria em francês.
O gosto pela França não só se reflectiu na língua e na literatura, como também se divulgou no mobiliário, na moda, que as aristocratas russas seguiram com a mesma dedicação, como as parisienses.
Quando uma artista famosa L.Vigé-Lebrun, pela primeira vez apareceu em alta sociedade de Petersburgo, em 1795, ela esperava deslumbrar a sociedade com os seus vestidos, mas viu que os vestidos “ao antigo”, já eram conhecidos aqui. Os vestidos pareceram túnicas com os materiais transparentes, os cabelos apanhados num diadema, as pedras preciosas emolduradas nos metais preciosos – tudo fazia homenagem à pureza, à leveza e à juventude.
O ambiente de grandeza e poder, criado pelas forças de dezena de arquitectos e mestres decoradores ao volta de figura de Napoleão, que tentaram segurar o prestigio por meio de arte, sem dúvida, infundiu respeito dos autocratas doutros estados.
Com Alexandre I o período de olvido oficial da arte francesa mudou-se para a viragem para este como a fonte principal de criatividade.
A linha de relação criativa, interrompida pelo Paulo I, agora era ainda mais forte e mais notável: os mestres parisienses, de forma muito activa trabalhavam no Império, quando na Rússia eles não só encontraram a repercussão espiritual, mas também os encomendadores prósperos.
Por enquanto, em França, o estilo “Império” era nascido e sustentado por poder de Napoleão, que permitiu á si próprio influenciar no processo criativo, que ameaçava a perda de expressividade emocional do estilo, o Império “russo” teve as outras raízes.
A mudança de poder em 1801 era percebida e acumulada pela sociedade com grande optimismo, e mais a volta de 1810 a consolidação á volta de Alexandre I das todas as classes de sociedade russa, ficou uma garantia na vitória da guerra esperada. Daqui aparece a fonte vital, sentida em todas as obras de Império, enriquecida por heroísmo e patriotismo. Além de mais, se em são Petersburgo a proximidade da corte dava ao Império a serenidade e austeridade, em Moscovo os cânones estabelecidos eram interpretados de maneira mais livre.
Henry Stendal nas suas memorias sobre o Moscovo, como a cidade escriveu: “todo é feito para puro o deleite (gozo): o conforto absoluto era unido elegância magnífica”. O famoso francês estava em Moscovo poucas meses antes que em antiga capital entraram os exércitos de Napoleão, e a cidade ardeu em fogo: este acontecimento trágico derrotou as corações de todos russos.
A guerra com o Napoleão era o acontecimento principal do século XIX. Mas esta guerra teve um resultado estranho. O culto de Napoleão existia com mais evidência, mesmo depois da caída do Império, a paixão pela cultura francesa só cresceu.
As ideias republicanas, que inspiraram a revolta de decabristas, também eram trazidas de França. Portanto, as simpatias existiram, alem das contradições objectivas politicas e económicas.
O estilo artístico Império podia ser estilo “Napoleónico”, se não saísse de fronteiras da França e não ficasse Internacional. A ideologia do Império Napoleónico criou uma Renascença artificial, que renasceu o espírito antigo, com o simbolismo de mundo guerreiro romano – as águias, os escudos, os tripés da origem das mesas de sacrifício – com a estética de calma austeridade. O Império conseguiu sobreviver depois da morte de Império de Napoleão e florescer nas outras países, como a Rússia.
Em 1816 pela vontade de Alexandre I, decidido dar ao capital, que triunfou sobre o Napoleão, um ar de glória imperial, era criado o Comiteto de construção urbana. Os membros desta organização eram: Carlo Rossi, Vasilii Stasov, Andrei Mihailov. Rossi e Stasov muito tempo estagiaram em França e Itália, aprendendo as bases de classicismo nos exemplos melhores da Europa.
O Comiteto existiu até ao 1842, durante este tempo eram construídos muitos edifícios, muitos interiores foram desenhados e executados. Exactamente neste período a pratica de construção atingiu o apogeu do seu desenvolvimento – construção duma série de edifícios urbanos, todos num único estilo - Império.
Conhecendo bem a obra dos mestres franceses, muitas vezes citando as soluções inteiras, Rossi, apesar de tudo sempre orientou-se pelos gostos de encomendadores, oportunidades de executantes locais, especificação de clima e costumes russos.
A volta de cada arquitecto importante era normalmente formada uma equipa de mestres decoradores, marceneiros, ebanistes, talhadores, bronzeadores, especialistas de mobiliário. Ficando os correligionários estas pessoas eram preparadas para tornar em vida até os mais corajosos projectos do arquitecto. As manufacturas imperiais que trabalharam com madeiras, porcelana, pedras, mobiliário e bronzes - todas elas ajudaram na criação duma nova imagem de São Petersburgo.
Em capital de pais viveram muitos estrangeiros: alemãs, ingleses, suíços, suecos: graças à uma criatividade unificada, que enriqueceu a cultura russa, era escapado a imitação primitiva.
Toda esta diversidade dos factores leve-nos a perceber que a influência principal da primeira metade do século XIX era, sem, dúvida francesa.
Classicismo tardio (1800 - 1810)
O mobiliário da primeira década do século XIX é caracterizado pelo gosto da segunda metade do século XVIII com alguns elementos e tipologias retiradas da Antiguidade Clássica.
O exemplo característico de mobiliário da primeira década do século XIX pode servir o mobiliário de famoso arquitecto A.N. Vorohin (1759-1814), autor de catedral de Kzanani e de outros edifícios importantes do século XIX. Depois de incêndio no Palácio de Pavlovsk, Vorohin restaurou os interiores, com toda a multidão e variedade das tipologias das divisões.
Vorohin desenhou todos os interiores dos palácios na tradição, em maioria correspondente à segunda metade de século XVIII.
As salas temáticas eram muito divulgadas. Assim no palácio de Pavlovsk nos podemos encontrar: Sala Grega, Sala de Guerra e Paz, Sala de Musica, etc...

Interior de Palácio de PavlovskInterior desenhado pelo arquitecto Vorohin. Este corredor de passagem com o conjunto de sofá e duas cadeiras com braços é de evidente influência francesa, especificamente de período de Luís XVI, que é caracterizado pelas linhas neoclássicas. A bureau “à cilindre” que nos podemos observar no lado direito também pertence ao mesmo estilo.
Interior de Palácio de Pavlovsk
Interior desenhado pelo arquitecto Vorohin. O conjunto das cadeiras e mesas são neoclássicas.
Interior de Palácio de Pavlovsk
Interior desenhado pelo arquitecto Vorohin. Estilo dominante das peças é o Neoclássico.
Em vez de mobiliário pintado, tanto divulgado no período anterior, aparece o mobiliário envernizado. As madeiras mais usadas são: mogno, nogueira, bétula de Karelia. Os veios de madeira são um dos elementos decorativos principais. Os embutidos finos em madeira escura que emolduram as cenas ou conjuntos decorativos são divulgados.
A talha aparece pouco no mobiliário no início do século. A talha é usada com grande modéstia nos espaldares, nos apoios de braços, nas pernas das mesas e secretarias, nas partes inferiores das cómodas.
Oselementos decorativos principais são idênticas ao estilos Luís XV e Luís XVI : as palmetas, os instrumentos musicais, rosetas, folhas de acanto, cartelas, folhagens, entrelaçados, grinaldas de flores, setas, laços, etc...
Os bronzes no início do século são usados só pelas cidades que tiveram as relações comerciais com a Europa Ocidental, produtor principal dos bronzes decorativos. Assim, o mobiliário decorado com shutes e sabots, é produzido só em São Petersburgo. As outras cidades, incluindo Moscovo, que não tiveram estas relações entalharam as formas e ornamentos em madeira, douraram-lhes, tentando imitar os bronzes verdadeiros.
O mobiliário de Moscovo deste período tem as formas mais pesadas do que mobiliário de São Petersburgo.
Uma novidade que aparece nesta altura é o mobiliário em mogno, com madeira á vista, estas peças normalmente são dos interiores da corte.

Cadeira sem braços de teatro de Palácio de Anechkov
Cadeira de transição de Neoclássico para ImpérioProjectodearquitectoL. Rusk
Rússia, 1809
Madeira entalhada, dourada, pintada.
85х48х46 cm
Hermitage, São Petersburgo
Cadeira com espaldar em lira (influencia inglesa), pintada e dourada (característica de século XVIII russo), as pernas de traz são em sabre e de frente são em pata de animal (elementos que tendem para o Império).
Cadeira sem braços
Cadeira de transição de Neoclássico para Império
Uma de conjunto de 26 peças
Projecto de arquitecto L.Rusk
Rússia, São Petersburgo 1805 – 1806
Madeira entalhada, dourada; tecido bordado
99х56х46 cm
Hermitage, São Petersburgo
Cadeira com espaldar rectangular com a decoração de espigas de trigo (influencia inglesa, decoração usada no século XVIII pelo Hepplewhite),as pernas de frente são em perna de animal, de traz em sabre (influencia francesa)
Cadeira com braços, “bergére”
Rússia, inicio do século XIX
Mogno entalhado, veludo
88х62х53 cm
Hermitage, São Petersburgo
Este tipo de cadeiras aparece no início do século XIX na corte russa. A temática decorativa é muito característica da época gramática da guerra. Os rodízios existentes são de influência inglesa.
Cadeira sem braços
Rússia, inicio do século XIX
Mogno entalhado, veludo
87х48х40 cm
Hermitage, São Petersburgo
Cadeira de mogno envernizado. Pernas de traz são em sabre (característica francesa do inicio do século XIX)
Piano
E.K. Lipgard (decoração), K Berto (bronzes)
Firma Shreder
Rússia, São Petersburgo 1898
Madeira entalhada, folhada; pintura de óleo; bronzes fundidos
277х156х100 cm
Hermitage, São Petersburgo
O piano pela sua gramática decorativa leva-nos á Rocaille: assimetria da talha, dos bronzes e das pinturas de natureza mitológica (influencia do estilo Luís XV).

Beureux de mogno com as rosetas e a inscrição “Taniana Vasilievna Shlikova”
Henry, Gambs
Rússia, 1800-1810
Mogno, bronzes
166х126х65
Hermitage, São Petersburgo
A peça é muito elegante, é evidente que foi concebida para uma mulher. A simplicidade das linhas rectas, a decoração de madeira só através dos veios da própria, os bronzes de formas circulares levam-nos ao Neoclassicismo.
Sofá
Rússia, entre 1800-1810
Madeira entalhada e dourada
95х117х51 cm
Hermitage, São Petersburgo
A peça tem toda a gramática decorativa do Neoclassicismo.
Império (1820-40)
Em 1910 em substituição de mobiliário proporcionado e leve da primeira década do século XIX, muito nitidamente ligado ao mobiliário da segunda metade do século XVIII (Classicismo de período de Catarina II), vem a solenidade e a grandiosidade das formas com a riqueza de decoração.
O mobiliário dos anos 20-30 é criado nas formas idênticas ao Império francês, tão bem reflectindo o espírito da época, que continua ainda depois da vitória sobre o Napoleão.
O mobiliário deste período na sua decoração é nitidamente ligado aos princípios de construção das formas arquitectónicas e à arte da Antiguidade Clássica.
Nos anos 30-40 do século XIX as formas de mobiliário tornam-se mais pesadas, a decoração simplifica-se.
Muito frequentemente os elementos egípcios de bronze e porcelana aparecem no mobiliário, moda dos quais é divulgada a partir de expedição de Napoleão em Egipto.
Uma das características mais importantes do Império é subordinação do próprio às leis da arquitectura. Para o Império é característico a segmentação para as linhas verticais e horizontais, os elementos arquitectónicos e os princípios de decoração; ornamentação é concentrada nas zonas especiais, que contrastam com outras zonas de madeira lisa, que na maioria das vezes são maiores.
Uma ligação especialmente nítida com as formas arquitectónicas é sentida nas peças de grande escala: secretarias, armários que são decorados com colunatas, pórticos, nichos, arcos; os pés das mesas são feitas em forma de colunas com bases e capiteis, esfinges com pés.
O jogo dos veios de madeira continua a ser importante. Até ao fim da década de 1920 embutido em madeira escura, que emoldura os elementos decorativos, continua a aparecer. Também aparece o jogo interessante dos segmentos do móvel, que são feitos em madeiras diferentes.
As madeiras usadas são: mogno, nogueira, palisandro, freixo, mas também as madeiras mais simples toneladas para imitar as madeiras caras.
A decoração principal deste período é a talha, que guarda os motivos, característicos para o primeiro terço do século XIX, mas agora a talha não é tonelada, nem dourada, os objectos tendem para ter um cor único.
Comparando o Império europeu e o contemporâneo Classicismo de Alexandre I, o último não era focado na figura de Imperador, mas inspirado na ideia de unidade nacional.
As artistas, desenhadores e executores das artes decorativas desta época, muitas vezes usaram os catálogos dos ornamentos, entre quais eram mais famosos as obras de Percier e Fointain.
Os sofás do império, diferenciam-se das peças análogas da primeira década do século XIX, são apresentados por tamanho maior, com apoio de braços altos. Os sofás podem ter a forma de gondula, também podem aparecer as figuras entalhadas de leões, grifos, esfinges.
Mais populares e mais divulgados começam a ser os elementos ligados à guerra, as águias, grifos, cavalos, cisnes, serpentes (em formas dos quais aparecem os apoios de braços das cadeiras, sofás, partes inferiores das pernas das mesas). Os espaldares entalhados das cadeiras têm os elementos como as aves com asas fechadas ou abertas, os fachos entrecruzados, escudos, junções das setas, as folhas de louro. Os elementos ligados à guerra reflectem o espírito da época.
O Império russo é caracterizado pelos conjuntos de mobiliário feito pelos mestres russos segundo os projectos de K.I.Rossi (1775-1849). Karl Ivanovich Rossi- arquitecto que desempenhou o papel importante na criação de imagem imperial de São Petersburgo “alexandrino”.
Os projectos de Rossi eram normalmente feitos pelos mestres como Vasilii Bobkov, G.Gambs, Tur e os outros.
Para as salas de grande solenidade Rossi preferiu criar mobiliário entalhado, totalmente pintado de branco e dourado. Muitas vezes os conjuntos eram feitos de mogno, bétula de Karelia, bordo, nogueira, álamo. Os bronzes eram raramente usados.
O mobiliário de Rossi é solene e de grande pompa, as formas são expressivas, a talha decorativa é sumptuosa. As bergéres tem os espaldares em curva, as pernas são em sabre, os braços são ricamente decorados.
Em decoração Rossi recusa os elementos, que são muito em moda neste período, elementos ligados ao mundo animal (as asas dos pássaros, as cabeças e patas de águias, as mascaras de leões); na maioria ele usa os ornamentos formados pela vegetação, retirados da Antiguidade Clássica, contudo a particularidade das formas das palmetas, coroas, folhas de acanto, liras são muito individuais, que permite com grande facilidade distinguir o mobiliário feito segundo projectos dele.
Nos estofos Rossi preferiu a combinação de branco com amarelo ou cor de laranja, e também a combinação de branco com azul-escuro ou claro, raramente eram usados cor de violata e verde descorado.
Uma grande influência no mundo do mobiliário desta época era feita pela obra de arquitecto – V.P.Stasov (1769-1848).

BureauHenry Gambs
Rússia, São Petersburgo, inicio do século XIX
Mogno entalhado; bronzes
131х133х63 cm
Hermitage, São Petersburgo
O bureau é de influência do Império francês, pelos elementos como estrelas (símbolo de Napoleão), pés em forma das mulheres toucadas com klafft egípcio.
As vitrinas com tampas
Projecto de Leon Fon Klents.
Marceneiro V.Shtrom
Mestre dos bronzes Lindrus e Gize
Rússia, São Petersburgo 1851-1852
Mogno entalhado, folhado, dourado; bronzes douradas, vidro
Altura 149 cm
Hermitage, São Petersburgo
Os elementos característicos do império são as pernas em forma de grifos sobre os pedestais.
Sofá
Uma das peças de conjunto de arquitecto Rossi
Manufactura de I.I.Bauman
Rússia, São petersburgo, 1817
Madeira entalhada, pintada, dourada; seda
98х172х52 cm
Hermitage, São Petersburgo
Sofá, “otomane”, tem a gramatica decorativa tirada da Antiguidade Clássica. A forma é típica do império francês. A peça é pintada de branco e dourada, á moda russa.
Cadeira com braços
Projecto de A.Mihailov
Rússia, cerca de 1822
Madeira entalhada e dourada; seda de trabalho francês
97х60х50 cm
Hermitage, São Petersburgo
Os elementos que nos levam ao Império são: enrolamento dos braços e as pernas em sabre, quando o espaldar é ainda muito neoclássico.
Cadeira com braços com panela central com grifos
Rússia, inicio do século XIX
Mogno entalhado e localmente dourado, localmente pintado
85х55х51 cm
Hermitage, São Petersburgo
O espaldar de cadeira é vazado, a tabela central tem forma de grifos contrapostos recortados. As pernas de traz são em sabre.
Esta cadeira é representante dum Império muito sofisticado e elegante.
Bergére
Rússia, primeiro quartel do século XIX
Álamo entalhado, dourado, pintado
86х65х53 cm
Hermitage, São Petersburgo
Esta bergére com espaldar em forma de gôndola tem apoios de braços em forma de mulheres com parte de baixo animal de influência egípcia. Todos os elementos indicam no Império.
Conjunto projectado pelo arquitecto Rossi
Manufactura de I.I. Bauman
Rússia 1817
Madeira entalhada, pintada, dourada; seda
Bergére 91.5х64х53, cadera sem braços 93х53х45 cm
Hermitage, São Petersburgo
O conjunto é muito representativo do Império russo. As peças são pintadas de branco e só depois douradas. Os painéis horizontais dos espaldares são de influência do Directório francês, que antecedeu á Império.
Período de Revivalismos e ecletismos (1850-1900)
A década de 1850 é marcada pelo aparecimento do Romantismo na Rússia. Viragem para o passado, a melancolia, tanto característica de povo russo, invadiu o ramo da arte.
Em 1850-60 aparece o mobiliário de novo tipo, que era chamado por nome de Gambs, um grande proprietário de uma das mais antigas fábricas de mobiliário no São Petersburgo. Os primeiros modelos deste mobiliário eram apresentados na exposição de produtos industriais de Império Russo em 1849.
O mobiliário com as características do estilo Luís XVI era muito popular na Rússia ate ao fim do século XIX, mas a partir da década 60, começa a viver junto aos elementos tirados doutros estilos. Portanto 1860-90 são anos de Ecletismo na Rússia.
Nas salas da visita agora aparece o mobiliário dourado, decorado com flores entalhadas, enrolamentos, conchas; o grande divulgamento recebeu a bronze dourada, pouco divulgada anteriormente.
Agora o mobiliário é decorado com medalhões cerâmicos, embutidos que formaram as cenas pastoris e as cenas florais. Nos embutidos, depois de grande período de interrupção de tradição, outra vez começaram a usar-se materiais como: as madeiras caras, osso, madre pérola, os metais cromados. Agora frequentemente eram utilizados os materiais conseguidos através do desenvolvimento tecnológico e químico, materiais que imitaram por exemplo o desenho de carapaça de tartaruga, que permitiu finalmente imitar os móveis com a técnica de Bulle, fugindo das grandes despesas. Os estofos mais divulgados eram: os tecidos coloridos, em riscas, veludo liso.
O grande protagonista desta época é o reportório de elementos decorativos góticos.
Nos interiores de anos 70-80 aparece o mobiliário, que no seu fundo é o revivalismo do Renascimento no seu trabalho rude de estruturara, coberta por camada de pelo ou tecido, estofo. Todo o conjunto era completo por drapejado, grelhas, pompons e pincéis, cordas, etc. O mobiliário de apoio de refeição agora é mais pesado, muitas vezes emita os modelos da Renascença e o Barroco de Luís XIV. Este mobiliário era decorado com as peles sobreviventes de trabalho espanhol, italiano, francês dos séculos XVI-XVII.
Cabinet com arabescos
N. V. Nabokov, L. Lerish (desenho do mosaico), A.V. Shutov (merceneiro), A.I. Sokolov (bronzes)
Fábrica Imperial de Petergof
Rússia, Petergof, entre 1886-1888
Madeira localmente dourada , bronzes, mármore; mosaico florentino (jaspe,
148х72х40 cm
Hermitage, São Petersburgo
O Cabinet da época do Romantismo. Os mosaicos de materiais preciosos formam os grotescos de origem nórdica. Peça de nostalgia pelo grande passado das relações russo-flamegas.
Cadeira “gótica”
Uma das peças de escritório de propriedade de Galitseni- Straganovi em Marinhe
H. Gambs
Rússia, segundo quartel do século XIX
Nogueira entalhada
130х67х84 cm
A cadeira com espaldar de influencia gótica. Todos os elementos são retirados da arquitectura de grande passado francês, interpretado e admirado na época pela Inglaterra.
Cadeira com braços, “bergére”
Peça de biblioteca de Nicolau II
Fabrica de N.F. Svirskii
Rússia, São Petersburgo, entre 1894-1896
Nogueira entalhada
85х80х50 cm
Hermitage, São Petersburgo
Esta cadeira é de biblioteca. Tem o ar muito pesado. Os elementos decorativos são tirados da arquitectura gótica.

Mesa de escrita
Peça de biblioteca de Nicolau II
Fabrica de N.F. Svirskii
Rússia, São Petersburgo, entre 1894-1896
Nogueiraentalhada
75х70х106.5 cm
Hermitage, São Petersburgo
Esta mesa de escrita tem as linhas muito simples. A travessa é recortada ao gosto medieval.
A mesa de apoio
Rússia, São Petersburgo, ultimo terço do século XIX.
Madeira lacada, pintada; madre de pérola, ouro; embutidos
74х80х60 cm
Hermitage, São Petersburgo
A mesa de apoio tem sistema de gaiola. A tipologia é europeia, quando a decoração é totalmente Oriental.
Cadeira “gótica”
Uma das peças de escritório de propriedade de Galitseni- Straganovi em Marinhe
H. Gambs
Rússia, segundo quartel do século XIX
Nogueiraentalhada
123х64х60 cm
Hermitage, São Petersburgo
A cadeira tem espaldar gótico.
Cabinet com o mosaico “selva tropical” Uma das peças de conjunto de três cabitets
N.V. Nabokov, L. Lerish.
Fabrica de Petergof
Rússia, sao Petersburgo
1888-1892
Madeira entalhada e dourada; bronzes; mosaico florentino (jaspe,
148х72х40 cm
Hermitage, São Petersburgo
A peça é idêntica ao cabinet já descrito em cima, tendo a diferença a pintura dos painéis. Aqui trata-se de uma cena da vida de floresta. O tema encontra as raízes no pensamento romântico.
Modernismo Russo (fim do século XIX- início do XX)
A guerra de 1812. Provavelmente pela primeira vez, as muitas senhoras na cidade bem como na periferia mais distante,”rejeitaram o francês... vestiram as roupas antigas (sarafan), cocosnik”. Assim, agora, as figuras das raparigas nas roupas tradicionais inspiraram de forma mais poética todos os ramos da arte. A guerra começou a ruptura com o passado clássico, e iniciou uma era nova de busca de estilo nacional, que vai florescer no período a seguir de Império mas estranhamente passado algum tempo.
Na segunda metade de século XIX a Europa era envolvida com a ideia de procura de estilo novo. A Rússia não ficou fora deste problema: estas procuras marcaram quase todas as manifestações de arte.
O Modernismo apareceu nas artes decorativas e no mobiliário no período de industrialização agitada, declarando a contraposição à produção das fábricas, que perdeu a sua entidade. Exactamente este factor provocou as artistas dos países diferentes interessar-se por móvel antigo russo. O processo de ir buscar o período ideal artístico já aconteceu em vários países, por exemplo na Inglaterra onde o Movimento Arts and Crafts assuma a Idade Média como o supremo período de criação artística onde não existiu a divisão de trabalho e o artista podia exprimir-se na arte. A admiração pelo artesanato medieval, a individualização de objecto, de facto construíram o caminho de criação de novo estilo europeu. Este empenho consciente de criar um novo estilo era principalmente novo na história de arte europeia.
A procura de novo em Rússia ocorria em varias direcções. Aos inícios do século XX o papel importante começou a jogar o modernismo com a vertente nacional - romântica, nascido a volta de 1880 nos arredores de Moscovo, em Abramtsevo e também numa zona de Talashkino, na propriedade de Tenisheva perto de Smolensk. Apoiando nas tradições antigas russas de arte popular, este modernismo criou muitas obras primas da época pelos mãos nos grandes artistas.
Assento criado na manufactura de Talashkino. A forma de espaldar tende para a forma gótica. A gramática decorativa por completo é tirada de contos tradicionais russos. Os braços são em forma de cisnes.
Cadeira sem braços, feita na manufactura de Talashkino. O espaldar é muito entalhado. O assento e as pernas com travessas são simples. A peça é baseada na arte popular russa.
Biombo e mesa de apoio. As duas peças são feitas de madeira clara. Os elementos decorativos são tirados dos contos russos.
A casa de Talashkino.
As artistas não limitaram-se em fazer o mobiliário, mas também fazeram a arquitectura.
Pormenor da fachada da casa de Talashkino
Os elementos decorativos da fachada são retirados da arte popular antiga, mas são estilizados, o que nos leva ao algo novo, trazido pelo Modernismo.
Igreja de Talashkino
Os artistas conseguiram trazer a estilização até à construção e á decoração da igreja. As tradições locais são sempre respeitadas.
No fim do século XIX, na propriedade de família Mamonovi, era criada uma oficina de mobiliário, que era dirigida por E.L.Polenova. Junto com outros artistas ela estudou o móvel tradicional russo, juntava-lhe e criava o seu próprio mobiliário usando as formas tradicionais, o ornamento local geométrico e vegetalista. O mobiliário de Polenova pode ser caracterizado pela presença de ornamentos entalhados, próximos à decoração de rodas de fiar. O mobiliário de Vítor e Appolinari Vasnetsov junta os elementos russos com a rica talha.
A relação com o artesanato faz me chamar esta primeira fase do Modernismo o Arts and Crafts russo.
Rodas de fiar anteriormente referidas

Mesa de apoio. Pé decorado com mulheres em sarafani
Rússia, primeiro quartel do século XIX
Mogno, bétula de Karelia entalhada e embutida.
75х95х59 cm
Hermitage, São Petersburgo
A peça é de grande nostalgia pelo passado russo. As raparigas em vestidos nacionais mais e mais aparecem no mobiliário.
A mesa para a mulher com cesto para o rabalho femenino
N.F. Svirskii, Medalha de ouro na Exposição em Paris de 1889
Rússia, entre 1885-1889
Madeira entalhada, embutido de varias madeiras, tartaruga, oso; bronzes, couro, veludo, seda
75.5х141х67 cm
A mesa é feita com grande virtuosismo. Ela toda é muito confortável. Embutidos são minuciosos.
Ao lado deste modernismo existiu outro, orientado para o modernismo europeu da época, divulgado na Bélgica, França, Áustria, Alemanha e Inglaterra, que era normalmente apoiado pelas tradições locais. Na Rússia a escolha de modelo europeu muitas vezes era influenciado pelas tradições locais e a criação individual de artista. Mas também existiam as fábricas e oficinas que copiavam os modelos europeus, que os artistas encontraram em grande quantidade em muitos catálogos de altura, o que hoje dificulta imenso a sua atribuição.
Interior duma casa na Rússia, arquitecto Karen Balian
Este interior é totalmente Arte Nova. Claramente, como o modelo original servia a Art Nouveau francesa. A decoração das cadeiras, de móvel de conter, de vão de porta e até de vitrais da parede é inspirada na natureza. O interior é unido pela única linguagem decorativa.
A chaminé duma casa na Rússia, arquitecto Karen Balian
A chaminé é embebida na parede, ou até melhor dizer, cresce de parede. A forma no fundo tem origem japonesa. Este exemplo mostra como Arte Nova é uma arte global (ligação de chaminé com tecto).
Conjunto reconstruído pelos desenhos de Karen Balian
Cadeira russa de influencia de Arte Nova francesa ou belga.
O interior da casa de Riabushkinskii. Arquitecto F.O. Shehteli.Escada e pormenor de capitel. Todas peças são executadas em linha curva de Arte Nova.
O Modernismo normalmente esta associado na mente de muitas pessoas com a linha curva de Arte Nouveau, na realidade este Modernismo era muito mais diversificado. A novidade absoluta, declarada pelos fundadores de estilo era muito difícil de transformar na realidade por completo. Assim no mobiliário de Arte Nouveau é possível reconhecer a linha de Rocalle - estilo chamado nacional em França. No mobiliário mais racional das ilhas Britânicas claramente são visíveis as tradições medievais. No mobiliário russo do mesmo período são evidentes as raízes populares de arte antiga. O que era novo era o método, que os artistas do moderno usaram. Se no período historicista anterior os artistas usaram o método de composição eclética dos elementos já reconhecidos, agora na substituição deste método chegou a estilização, onde o protótipo era dificilmente reconhecido na imagem, construída pela imaginação de artista.
Isto tudo esplica o interrese, que no limite dos séculos os pintores sentiram em relação as artes decorativas: K.A.Korovin, N.K. Rerih, M.A. Vrubeli, V.A. Serov, A.N. Benuar, V.D.Polenov, V.M. e A.M.Vasnetsov, S.V. Maliutin, K.F.Iuon- é difícil não escrever o nome de artista que não trabalhou nestes anos na área de artes decorativas.
No mobiliário russo deste período são evidentes duas tendências: racional e irracional. Muito mobiliário, orientado para Arte Nouveau, difíceis de execução, era normalmente únicos ou produzidos numa série limitada. Contudo as séries quase nunca copiavam o modelo iniciar, e os objectos criados sempre tiveram o carimbo de imaginação e de individuo de artista. Este mobiliário era muito caro, e os artífices que os executaram deviam ser de mestria alta.
A direcção racional de Modernismo, confessando-se a estética das formas puras e simples, começou a formar-se e estar visível na década de 1910. Estas formas eram mais fáceis de produção. Esta via de racional de Modernismo pouco a pouco divulgou se nas lasses mais diversas de sociedade, aproximando os interiores das casas ricas com os interiores das casas mais pobres. A revista “Marceneiro” em 1912 escreveu que “só pelas detalhes o mobiliário de classe dos trabalhadores é diferenciado de mobiliário de burguesia, mas nestes pequenas detalhes – um mundo inteiro”.
Ainda que o Modernismo apareceu para combater a perca de entidade da produção das fábricas, sair de caminho da vida já foi impossível. O nascimento deste estilo coincide com o crescimento de população rural, com a construção antes nunca vista. A necessidade de mobiliário estimulava a sua produção industrial. Só nos últimos três anos do século XIX a quantidade das fábricas na Rússia aumentou de 44 para 108. Em 1897 nestas fábricas trabalharam 71 000 das pessoas. O mobiliário também era feito nas muitas fabricais mais pequeninas, formadas nas propriedades privadas. A qualidade de produção destas fábricas na maioria era muito boa. Estas fabricas espalhadas pelo todo território russo produziram mobiliário e pequenos objectos de interior – os objectos de estilo russo, tanto apreciado na altura.
O período de Modernismo é caracterizado pela maior variedade dos materiais usados. Por exemplo o uso de palha. O mobiliário de palhinha, anteriormente associado com a vida campestre, agora entrou nas salas rurais e nos jardins do Inverno, que entraram em grande moda. A base estilística de mobiliário de palhinha era o modernismo internacional, a sua versão racional. Os assentos tiveram o espaldar e/ou assento em palhinha, os armários foram embelezadas por palha, onde a palhinha jogou o papel somente decorativo.
As placas cerâmicas, vidro e até vitrais inteiros decoraram mobiliário de maneira mais caprichosa. Muito característico daquele tempo era o uso das possibilidades plásticas de metal.
Neste período outra vez entrou na moda o mobiliário incastrado, as raízes de qual vão ao Época Medieval. Este mobiliário ajuda a construir os espaços de grande unidade e a sensação de obra de arte global. Muitas vezes neste jogo entraram até os vestidos das pessoas, que viveram em casa, os vestidos que coincidiram com as paredes, pormenores de mobiliário, etc.
Podemos dizer que o mobiliário dos finais do século XIX e inicio do século XX é um fenómeno complicado pela sua diversidade.
Conclusão
O mobiliário russo do século XIX e inícios do século XX passou um caminho longo de Classicismo tardio até o Modernismo. A história do móvel deste período começa com fortes influências de França, perde um pouco esta relação no Romantismo de vertente nacional e outra vez ganha força no Modernismo de via Arte Nova. O grande passado do tempo de Pedro I, das relações politicas, económicas e culturas com Flandres, também são evidentes no mobiliário deste período. A Inglaterra com a sua elegância e a funcionalidade do mobiliário nunca perdeu a admiração dos russos. Mas é importante, que havia fazes no mobiliário russo do século XIX e inícios de XX, quando o espírito nacional com toda a multidão dos conceitos, elementos decorativos tradicionais são presentes.
Bibliografia
http://www.mnikitskaya.ru/dom6/
http://www.peterhof.ru/